Ordem dos Psicólogos

Certificação APCER

COVID-19: Fórum Nacional de Psicologia marca posição

30 Instituições de Ensino Superior Portuguesas com formação em Psicologia partilham estratégia

26.Maio.2020

Tendo em consideração que, de acordo com estudos recentes, 49.2% dos portugueses reportou impacto psicológico moderado ou grave perante o actual estado de pandemia, o Fórum Nacional de Psicologia (FNP) - constituído por 30 Instituições de Ensino Superior Portuguesas com formação em Psicologia e pela Ordem dos Psicólogos Portugueses - reuniu-se recentemente pela segunda ocasião e, num momento histórico para a Psicologia em Portugal, desenvolveu uma estratégia conjunta para resposta na era COVID-19 e pós-COVID-19 na área da Saúde Mental.

"Reforçar e tornar a todos acessíveis estratégias de realização de diagnóstico precoce dos problemas de saúde mental/psicológica, a sua monitorização e encaminhamento para respostas adequadas", assim como "garantir o acesso atempado aos cuidados psicológicos a todos os cidadãos, seja qual for a sua condição social, económica e geográfica, bem como a equidade na distribuição de recursos e utilização destes serviços", são duas das medidas propostas pelo FNP.

Segundo o documento partilhado, "os efeitos da pandemia COVID-19 serão múltiplos e profundos e as consequências para a saúde psicológica dos cidadãos ocuparão um lugar de destaque. Quer a população geral, quer grupos específicos como os profissionais de saúde, quer a população com problemas de saúde mental/psicológica pré-existentes estão vulneráveis aos efeitos adversos da pandemia sendo que estes podem ser exacerbados pelo medo, isolamento e distanciamento social. Dados recolhidos junto de 10.519 portugueses adultos no início do estado de emergência, comprovam o significativo impacto negativo da pandemia na saúde mental. Quase metade (49.2%) reportou impacto psicológico moderado ou grave, variando os níveis de depressão, ansiedade e stresse entre os 12% e os 30% da amostra".

Ainda segundo a posição tornada pública no início desta semana, "é também provável que as consequências para a saúde mental sejam mais duradouras e atinjam o seu pico após a pandemia ter sido ultrapassada mantendo-se risco de depressão e de perturbação de stress pós-traumático naqueles que sobrevivem à doença. Paralelamente, há que ter em conta o impacto que a crise socioeconómica que se começa a instalar terá na saúde mental/psicológica. Um corpo substancial de investigações confirmam a emergência de riscos para a saúde psicológica em períodos de crise económica".

"Refira-se que Portugal é um país particularmente exposto a esta situação dado que cerca de 23% dos seus cidadãos já sofrem de perturbações da saúde mental/psicológica e onde, em conjunto com a Irlanda do Norte, existe a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa, destacando-se as perturbações de ansiedade (16,5%) e a depressão (7,9% do total das doenças mentais)", pode ler-se no documento.

De acordo com a investigação e dados disponíveis, o Fórum Nacional de Psicologia toma uma posição clara e apresenta o NHS como exemplo: "Entendemos que apenas o reforço com um número significativo de Psicólogos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) será o caminho para prevenir o aumento, em número e em gravidade, dos problemas de saúde mental no período em que vivemos e naquele que se lhe seguirá. A experiência de outros países permite-nos verificar os benefícios deste caminho. Por exemplo, no Reino Unido um número significativo de Psicólogos foi integrado no NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) para disponibilizarem intervenções psicológicas empiricamente apoiadas para as problemáticas mais prevalentes de saúde mental (depressão e ansiedade), através do programa IAPT (Improving Access to Psychological Therapies), de fácil acesso ao grande público (no ano de 2017, o IAPT apoiou 980.000 pessoas).

A análise económica de custo-benefício referente a poupanças nos custos de saúde e a efetividade do programa medida pelos resultados clínicos imediatos e a longo prazo destas intervenções tem permitido concluir, sistematicamente, que 'as intervenções psicológicas não custam nada', ou seja, pagam-se a si mesmas e permitem poupar no investimento necessário para o funcionamento do SNS, indo ao encontro da sabedoria popular quando refere 'é preferível prevenir do que remediar'. À dimensão económica acresce ainda uma redução significativa do sofrimento da pessoa e da sua família e respectivo impacto no bem-estar".

Assim, tendo em consideração estas premissas, o FNP considera que:

"É necessária uma resposta adaptada aos desafios epidemiológicos e comportamentais que vivemos atualmente que passe fundamentalmente por:

  1. Reforçar e tornar a todos acessíveis estratégias de realização de diagnóstico precoce dos problemas de saúde mental/psicológica, a sua monitorização e encaminhamento para respostas adequadas;
  2. Garantir o acesso atempado aos cuidados psicológicos a todos os cidadãos, seja qual for a sua condição social, económica e geográfica, bem como a equidade na distribuição de recursos e utilização destes serviços;
  3. Estruturar e capacitar um modelo multinível de organização das respostas às necessidades de saúde mental/psicológica, que permita garantir que as situações de psicopatologia moderada e ligeira (as mais prevalentes entre a população) sejam adequadamente intervencionadas através do reforço da capacidade de intervenção psicológica ao nível dos cuidados de saúde primários;
  4. Promover esforços de prevenção e promoção da saúde mental/psicológica, através de acções de monitorização e intervenção nos determinantes sociais e comportamentais da saúde, da promoção da literacia, de estratégias de promoção da adopção de estilos de vida saudáveis ou da auto-regulação e do auto-cuidado, não só nos cuidados de saúde primários, mas também nos contextos laborais e escolares".

Relativamente à actual situação dos psicólogos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), o Fórum Nacional de Psicologia assinala que "os Psicólogos, dado o seu perfil profissional de competências, desempenham um papel essencial e insubstituível" e assinala a "enorme carência" destes profissionais no SNS "o que inviabiliza uma resposta minimamente adequada às necessidades identificadas. Nos cuidados de saúde primários existem apenas cerca de 250 Psicólogos em todo o território de Portugal continental (cerca de 2,5 Psicólogos para cada 100 000 utentes), sendo necessário, pelo menos, duplicar o número de profissionais disponíveis".

"A disponibilização de intervenções psicológicas em larga escala, no SNS, será a estratégia mais adequada e efectiva para enfrentar a era COVID-19 e pós-COVID-19, permitindo prevenir problemas mais graves de saúde mental e, desta forma, poupar recursos financeiros e poupar no sofrimento dos portugueses. A situação é complexa e requer uma intervenção especializada, sendo imprescindível e urgente o reforço do número de Psicólogos no Serviço Nacional de Saúde, em especial nos cuidados de saúde primários", conclui.

Clique aqui para ler o documento completo.

Refira-se, por último que o FNP, que já se reuniu por duas ocasiões (17 de Janeirto de 2020 e 17 de Abril de 2020), tem como objectivo reunir contribuições em matéria de interesse científico e profissional para a prática da psicologia, regulação da profissão e promoção do conhecimento científico, tendo sempre presente a necessidade de envolvimento de todas as áreas da ciência psicológica e da sua aplicação.

Fórum Nacional de Psicologia constituído pela Ordem dos Psicólogos Portugueses e pelas seguintes Instituições de Ensino Superior: 

  • Instituto Superior da Maia 
  • Instituto Superior de Ciências da Saúde
  • Norte Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz
  • Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdisciplinares - Almada
  • Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdisciplinares - Viseu
  • Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes 
  • Instituto Superior Miguel Torga
  • ISPA - Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida
  • Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões
  • Universidade Católica - Braga
  • Universidade Católica - Lisboa
  • Universidade Católica - Porto
  • Universidade da Beira Interior
  • Universidade da Madeira
  • Universidade de Aveiro
  • Universidade de Coimbra - Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
  • Universidade de Évora - Escola de Ciências Sociais
  • Universidade de Lisboa - Faculdade de Psicologia
  • Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - Escola de Ciências Humanas e Sociais
  • Universidade do Algarve - Faculdade de Ciências Humanas e Sociais
  • Universidade do Minho - Escola de Psicologia
  • Universidade do Porto - Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
  • Universidade dos Açores
  • Universidade Europeia
  • Universidade Fernando Pessoa
  • Universidade Lusíada
  • Universidade Lusíada (Porto)
  • Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
  • Universidade Lusófona do Porto
  • Universidade Portucalense Infante D. Henrique