
A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) constatou, com grande perplexidade, a autorização para a abertura de dois novos 1º ciclos de estudos em Psicologia, bem como um aumento geral de vagas de 1º ciclo disponibilizadas entre as instituições que já as indicaram para o próximo ano lectivo (2.491 em 2013/2014 face a 2.479 em 2012/2013).
Desta forma, apesar das repetidas indicações dadas pelo Ministério da Educação de que os índices de empregabilidade dos cursos de Ensino Superior seriam um critério determinante na abertura destes cursos, bem como na fixação do número de vagas nos mesmos, constatamos um aumento do número de instituições que ministram formação superior em Psicologia. Tal situação verifica-se apesar de Portugal já deter o maior número de cursos de Psicologia por milhão de habitantes na União Europeia. Refira-se ainda que a adição destes dois novos cursos de Psicologia deixa Portugal com mais cursos do que Espanha, apesar deste país apresentar uma população 4,5 vezes superior à nossa.
A degradação da empregabilidade entre os formados em Psicologia é notória, tendo sofrido um aumento significativo entre Abril de 2012 e Abril de 2013. Este incremento de aproximadamente 33% significa que mais de 4.000 formados em Psicologia estavam inscritos como desempregados no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Porém, apesar deste número ser extremamente elevado, não traduz a realidade da empregabilidade dos psicólogos, visto não contemplar boa parte dos desempregados com formação superior em Psicologia e aqueles que já abandonaram a área ou que se encontram em situação de sub -emprego.
Este aumento do número de vagas e de cursos de Psicologia no Ensino Superior surge mesmo depois da Ordem dos Psicólogos Portugueses ter tido a oportunidade de expressar a sua preocupação perante o grande aumento de desempregados com formação superior em Psicologia inscritos no IEFP, em reunião tida em Abril do presente ano com o anterior Secretário de Estado do Ensino Superior.
Será difícil compreender a planificação do Ensino Superior de um país que, a título de exemplo, no ano lectivo transacto (2012/2013) permite a abertura de 2.479 vagas em 29 cursos de Psicologia, enquanto num curso sem desemprego registado (Medicina) apenas permite a abertura de 1.441 em sete cursos (todos eles pertencentes ao Ensino Superior Público).
A OPP não pode deixar de demonstrar a sua perplexidade face à acção paradoxal do Ministério da Educação que, ao mesmo tempo que incentiva profissionais de outras áreas a realizarem actos psicológicos, considera imprescindível a manutenção desta moldura de formação universitária em Psicologia em nome de um suposto nível elevado de empregabilidade.
A Direcção,
Lisboa, 6 de Agosto de 2013





















