Ordem dos Psicólogos

Certificação APCER

Comunicado OPP

Promessas não cumpridas e uma ameaça à saúde pública – faltam psicólogos no SNS

11.Julho.2019

"No que concerne ao número de psicólogos no SNS, verifica-se que, em 2015, existiam apenas 601, o que corresponde a um rácio de 0,285 psicólogos por 5.000 habitantes, e consequentemente, um défice de 1.618 psicólogos face ao rácio recomendado de um psicólogo por cada cinco mil habitantes". Para consultar o comunicado completo, clique em "Ler Mais".

"No que concerne ao número de psicólogos no SNS, verifica-se que, em 2015, existiam apenas 601, o que corresponde a um rácio de 0,285 psicólogos por 5.000 habitantes, e consequentemente, um défice de 1.618 psicólogos face ao rácio recomendado de um psicólogo por cada cinco mil habitantes".

Conclusões surgem no "Relatório Anual do Observatório Português dos Sistemas de Saúde" (OPSS) que destaca, por exemplo, outros dados preocupantes e que merecem, não apenas uma profunda reflexão, como uma imediata acção. Nomeadamente:

- "Nunca houve um compromisso político sério em investir neste setor, com o objetivo de dotar o SNS de recursos que permitam melhorar a qualidade de vida do portador de perturbação mental";


- "O investimento em mais psicólogos no SNS, especialmente nos CSP não só representa maior acessibilidade ao apoio psicológico por parte dos pacientes, como possibilita a adoção de tratamentos mais custo-efetivos, a diminuição da prevalência de problemas de saúde mental, a poupança em cerca de 20% a 30% dos custos e diminuição das idas às urgências, das hospitalizações e do tempo de internamento";


- Em 2018, foram dispensadas 1,9 milhões de Doses Diárias Definidas* (cerca de 695 milhões anuais) de Ansiolíticos, Sedativos e hipnóticos, e Antidepressores;


- Estudos apontam que 59,2% dos idosos se encontram polimedicados (administração de mais de cinco medicamentos diferentes concomitantemente e em tratamento prolongado - mais de 3 meses) e 37,0% tomam medicação potencialmente inapropriada.

Ora, tendo por base estes factos, a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) não pode deixar de lamentar que, embora estas temáticas tenham passado a fazer parte do discurso dos governantes, as promessas não cumpridas por parte das entidades responsáveis se mantenham. Segundo Francisco Miranda Rodrigues, Bastonário da OPP, "há casos em que eventualmente se tivermos a disponibilidade de mais psicólogos, não serão necessários medicamentos", passando a existir essa possibilidade de referenciação e resposta para a mesma. "O concurso para a contratação de apenas 40 psicólogos para o SNS, que ainda decorre, abriu muito tarde", conclui.

Neste contexto, importa esclarecer, mais uma vez e tal como já foi feito inúmeras vezes à sociedade em geral e entidades responsáveis em particular, que mais Psicólogos no SNS significariam maior acessibilidade a intervenções custo-efectivas num leque mais diversificado de áreas (avaliação psicológica, intervenção psicológica, estratégias de mudança comportamental, promoção e desenvolvimento de competências, apoio para crianças e jovens em risco, intervenção precoce ou cuidados paliativos, por exemplo). Mais psicólogos significam benefícios clínicos (diminuição do sofrimento e aumento do bem-estar e da saúde, física e psicológica), benefícios económicos e sociais (redução da prevalência dos problemas de Saúde, física e mental; aumento da literacia em saúde da população e do seu acesso a cuidados de saúde de qualidade; e redução dos custos financeiros do SNS).

Para além destes benefícios, o contributo da Psicologia e dos psicólogos é indissociável de uma agenda nacional que vise promover comportamentos e estilos de vida saudáveis e prevenir os factores de risco e os determinantes sociais e comportamentais da Saúde: uma Agenda de Prevenção e Desenvolvimento das Pessoas.

Perante a evidência dos factos, torna-se ainda mais premente uma maior aposta na contratação de mais psicólogos para o SNS, uma vez que as actuais políticas e estratégias na área da saúde, e com base nos dados disponibilizados, podem significar uma verdadeira ameaça à saúde pública. Sendo a evidência científica clara (a saúde de hoje e do futuro imediato faz-se com a aplicação da ciência psicológica não só na saúde mental, mas na saúde em geral), devemos questionar-nos por que esperamos e observar quais as propostas que os partidos políticos apresentarão neste matéria.


A Direcção

11 de Julho de 2019

* A DDD (dose diária definida), é uma unidade de medida que representa a dose média diária de manutenção, de determinada substância ativa, na sua principal indicação terapêutica, em adultos.