Relativamente à política nota-se um crescente desinteresse face ao exercício do direito de voto, que é o mesmo que dizer à liberdade pessoal, à possibilidade de exercermos o nosso poder enquanto cidadãos adultos e capazes de exprimir a nossa opinião sobre o que é melhor para a sociedade onde nos inserimos.
Este é um fenómeno complexo para o qual a Psicologia Social – que se focaliza no estudo como os indivíduos respondem aos estímulos sociais - e a Psicologia Política – campo da Psicologia interessado no modo como as pessoas pensam os fatores políticos e as consequências dessa forma de pensar sobre o seu comportamento político – podem dar algum contributo explicativo.
A "difusão de responsabilidade" corresponde a um dos vários processos e factos que poderão contribuir para a desmobilização que se assiste atualmente, na medida que segundo a ciência psicológica se caracteriza por um processo que conduz um indivíduo a assumir menos propensão para se considerar responsável por uma ação (votar) ou inação (não votar) devido à presença de outros. O processo assume várias formas de que para este contexto se destacam duas: o indivíduo é apenas um dos observadores do processo ou alinha o seu pensamento pelo suposto pensamento de grupo, do tipo "não é o meu voto que irá fazer a diferença" ou "não vale a pena votar porque vai continuar tudo igual". Em última análise, a responsabilidade dos resultados eleitorais será sempre do outro.
Hoje é um dia importante, historicamente pela possibilidade que nos ofereceu o 25 de abril de exercermos o direito de voto de forma livre mas talvez, mais importante ainda (?) porque nos permite exercer um dos valores mais importantes da humanidade: a liberdade - "o homem ser capaz de escolher o que ele próprio vai causar" tal como a define Ortega y Gasset.





















