Décadas de negligente subinvestimento na saúde mental e psicológica, deixaram agora as pessoas ainda mais expostas.
Antes da pandemia do Covid-19, a depressão e ansiedade tinha já um custo anual global de mais de 1 trilião de dólares. Também de acordo com dados das Nações Unidas, a depressão afetava 254 milhões de pessoas em todo o mundo, com metade dos problemas de saúde mental e psicológica a iniciar pelos 14 anos. Também em Portugal os números eram já alarmantes e as respostas insuficientes. Vivíamos já uma pandemia não declarada.
Esta situação, já preocupante, agravou. Muitos de nós, que lidavam de forma satisfatória com os desafios do dia a dia, deixámos de ter estratégias suficientes para lidar com os múltiplos stressores criados pelas várias fases da pandemia.
Estamos todos fragilizados, mas precisamos estar atentos aos sinais. Aos nossos e aos dos outros à nossa volta. Tristeza, irritabilidade, solidão ou isolamento, alterações de sono e apetite, desinteresse, consumos e dependência de écrans são alguns exemplos.
Em Portugal, esta fase de desconfinamento requer uma mente ainda mais atenta e maior capacidade para tomar, momento a momento, pequenas decisões para cuidar de nós e aos outros. Se precisar, peça ajuda. Para si ou para quem está por perto.
A Linha de Aconselhamento Psicológico do SNS24, fruto de parceria entre os serviços partilhados do Ministério da Saúde, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Ordem dos Psicólogos Portugueses, está disponível, desde o dia 1 de abril, pelo número 808 24 24 24, e conta com Psicólogos 24 horas por dia, 7 dias por semana, para o apoiar.
Enquanto não mudamos de paradigma e tornamos também universal o acesso à saude psicológica no Sistema Nacional de Saúde, usemos os recursos que existem. Cuidemos uns dos outros, sem preconceito.
Cristina Quadros





















