
A Bastonária da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), Sofia Ramalho, defendeu que é tempo de mudar a forma como Portugal encara a Saúde, questionando qual o verdadeiro custo de não investir na sua promoção e prevenção. A intervenção teve lugar na sessão de abertura da conferência "Inovação em Saúde: Despesa ou Investimento", organizada pela Convenção Nacional da Saúde (CNS), em parceria com o Conselho da Saúde, Prevenção e Bem-Estar.
"Discutimos durante demasiado tempo quanto custa a Saúde, mas ainda não nos perguntámos quanto custa não investir nela. Quanto custa uma doença evitável? Um diagnóstico tardio? Um profissional exausto? Perder talento? Não receber apoio a tempo? Ou a saúde mental que fica por cuidar?", questionou Sofia Ramalho, defendendo que é necessário passar de uma lógica centrada na despesa para uma visão da Saúde como investimento.
A Bastonária sublinhou que "a Saúde nunca foi apenas uma despesa, mas sim um investimento nas pessoas, na economia, na produtividade, na inovação e na coesão social", defendendo uma mudança de paradigma que coloque a promoção da Saúde e a prevenção no centro das políticas públicas.
Sofia Ramalho destacou igualmente a importância do trabalho em rede e de uma visão alinhada com a abordagem Uma Só Saúde (One Health), que reconhece que a saúde das pessoas depende da saúde das comunidades, da qualidade dos ambientes onde vivem e de fatores como a educação, a habitação, as condições de trabalho, a sustentabilidade ambiental, a coesão social e as escolhas políticas.
A Bastonária defendeu ainda que falar de Saúde é falar do desenvolvimento das pessoas e do futuro do país, sublinhando a necessidade de valorizar os profissionais que cuidam, vincular talento, investir nas carreiras e reforçar uma verdadeira cultura de cooperação entre profissões, instituições e setores.
"Talvez nunca tenhamos reunido tantas condições para dar um novo salto coletivo como agora. Mas esse salto exige colocar sempre as pessoas acima dos sistemas e dos resultados em saúde, bem como acima das fronteiras institucionais, interministeriais e intersectoriais", afirmou.
Assinalando os 45 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Sofia Ramalho recordou que esta continua a ser uma das maiores conquistas da democracia portuguesa, mas sublinhou que os desafios atuais exigem uma visão mais ampla da Saúde.
"Como a saúde já não se constrói apenas dentro do SNS, não basta perguntar como financiamos a doença. É preciso perguntar como produzimos mais saúde e mais vida", concluiu.





















