
A partir da morte física, que este livro toma como objeto, a psicologia transporta-nos ainda para uma expressão maior desta experiência humana. Refiro-me às diferentes formas de perda e não só à morte física de quem amamos. Por exemplo, o fim de relações, a perda da saúde, da autonomia, de funções, de projetos, de sonhos ou de versões de nós próprios que deixaram de existir. Embora distintas, todas estas experiências são processos semelhantes de reconstrução de significado, de reorganização emocional e de transformação pessoal. E, nesse sentido, a morte acaba por ser um espelho através do qual podemos compreender muitas das restantes transições e mudanças da existência humana. Penso que este é um dos maiores méritos deste livro: lembrar-nos de que falar sobre a morte não é cultivar o pessimismo ou a desesperança, mas ampliar a compreensão da vida. Esta reflexão integra o prefácio assinado por Sofia Ramalho, Bastonária da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
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