Ordem dos Psicólogos

Certificação APCER

Flores e São Miguel pelos Trilhos da Psicologia

24.Maio.2022

A Direcção Nacional da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) e a Direcção da Delegação Regional dos Açores (DRA) conheceram a realidade das três psicólogas na ilha das Flores e reuniram-se com os psicólogos das escolas de São Miguel.

Carina Vasconcelos chegou à escola EPROSEC de Santa Cruz das Flores há 15 anos. Os primeiros dias (e anos) foram vividos "de forma quase isolada". Um isolamento experienciado por muitos dos que sofrem os efeitos da insularidade nesta ilha do grupo Ocidental dos Açores.

Agora tem naquela escola, onde recebeu a direcção nacional e a direcção da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), a companhia de Nádia Hipólito. Além destas duas psicólogas há apenas mais uma na ilha: Lara Fraga, que trabalha na área da violência doméstica. Ali, um dos maiores problemas é "a falta de habitação social", um porto de abrigo para as vítimas que querem sair de casa e precisam de ajuda.

Juntas, estas três psicólogas têm de responder a todas as necessidades da ilha. "Vamos sendo um bocadinho 'bombeirinhos' disto tudo", explica Nádia, numa reunião entre as três psicólogas das Flores e a direcção da OPP. "Não conseguimos chegar à parte educacional. A outra é mais urgente, prevalece", explica, dando como exemplo as tentativas de suicídio e ataques de pânico.

Uma das queixas destas psicólogas é a inexistência do trabalho em rede. "Não existe. Temos o grupo ocidental despido destas necessidades", lamentam. A ilustrar esta dura realidade o caso recente um adulto que tentou suicidar-se. "Foi a um psiquiatra na Terceira, regressou às Flores e não tem acompanhamento psicológico. Não existe".

Direcção da OPP reúne-se com os psicólogos das escolas de São Miguel

Um dia antes, a 17 de maio, psicólogos de várias escolas da ilha de São Miguel juntaram-se no auditório do EPROSEC, em Ponta Delgada, para um momento de partilha com a direcção da OPP. Ouviram-se preocupações, problemas vividos nas escolas e a necessidade, muito sublinhada, de se fazer nas escolas a necessária prevenção.

"Quando haverá mais reforço de psicólogos nos contextos de saúde para podermos reencaminhar quem precisa? Os psicólogos nas escolas têm mais funções para cumprir", ouviu-se de um dos presentes na sala.

A inclusão, os contributos para a revisão do referencial técnico para os Psicólogos escolares e o lançamento da campanha "Selo Escola SaudávelMente", cujas candidaturas decorrem até 17 de junho, foram outros dos temas abordados.